Sistema Nervoso Autónomo - Introdução


Os órgãos do nosso corpo (vísceras), como o coração, intestinos e estômago, são regulados por um ramo do sistema nervoso conhecido como sistema nervoso autónomo. O sistema nervoso autónomo faz parte do sistema nervoso periférico e controla o funcionamento de muitos músculos, glândulas e órgãos do corpo. Normalmente, não estamos conscientes do funcionamento do nosso sistema nervoso autónomo porque ele funciona de forma reflexa e involuntária. Por exemplo, não temos noção de quando os nossos vasos sanguíneos alteram de tamanho e estamos (geralmente) inconscientes ao facto do nosso coração acelerar ou desacelerar.

O que é o Sistema Nervoso Autónomo?


O Sistema Nervoso Autónomo (ANS) é a divisão involuntária do sistema nervoso. Ele consiste em neurónios autónomos que conduzem impulsos desde o sistema nervoso central (cérebro e/ou espinal medula) até às glândulas, músculo liso e músculo cardíaco. Os neurónios do ANS são responsáveis pela regulação da secreção de determinadas glândulas (ex.: glândulas salivares) e pela regulação da frequência cardíaca e dos movimentos peristálticos (contracção do músculo liso do tracto digestivo), entre outras funções.

Função do ANS


O papel do ANS é aperfeiçoar constantemente o funcionamento dos órgãos e sistemas de órgãos de acordo com ambos os estímulos internos e externos. O ANS ajuda a manter a homeostasia (estabilidade e equilíbrio interno), através da coordenação de várias actividades como secreção de hormonas, circulação, respiração, digestão e excreção. O ANS está sempre "ligado" e a funcionar inconscientemente, pelo que não temos consciência das importantes tarefas que está a realizar a cada minuto do dia (e da noite), todos os dias.

O ANS está dividido em dois subsistemas, o SNS (sistema nervoso simpático) e o PNS (sistema nervoso parassimpático).

Sistema nervoso simpático (SNS) – o SNS desencadeia o que é comummente conhecido como a resposta de “luta ou fuga”:
* Os neurónios simpáticos são geralmente considerados como pertencendo ao sistema nervoso periférico, embora alguns dos neurónios simpáticos estejam localizados no CNS (sistema nervoso central)
* Os neurónios simpáticos do sistema nervoso central (espinal medula) interagem com os neurónios simpáticos periféricos através de uma série de corpos de células nervosas simpáticas conhecidos como gânglios
* Por via de sinapses químicas dentro dos gânglios, os neurónios simpáticos ligam-se a neurónios simpáticos periféricos (por esta razão, os termos "pré-sináptico" e "pós-sináptico" são usados para referir-se a neurónios simpáticos da espinal medula e neurónios simpáticos periféricos, respectivamente)
* Os neurónios simpáticos pré-sinápticos libertam acetilcolina nas sinapses dentro do gânglio simpático. A Acetilcolina (Ach) é um mensageiro químico que se liga a receptores nicotínicos dos neurónios pós-sinápticos.
* Os neurónios pós-sinápticos libertam norepinefrina (NE) em resposta a este estímulo
* A activação prolongada da resposta a este estímulo pode desencadear a libertação de adrenalina por parte das glândulas adrenais (especialmente da supra-renal)
* Uma vez libertada, a NE e a adrenalina ligam-se aos receptores adrenérgicos em vários tecidos, resultando nos efeitos característicos de “luta ou fuga”

Os seguintes efeitos são vistos como o resultado da activação dos receptores adrenérgicos:
* Aumento da transpiração
* Diminuição dos movimentos peristálticos
* Aumento da frequência cardíaca (aumento da velocidade de condução, diminuição do período refractário)
* Dilatação das pupilas
* Aumento da pressão arterial (aumento da contractilidade, aumento da capacidade do coração relaxar e encher)

Sistema nervoso parassimpático (PNS) – O PNS é muitas vezes chamado de sistema do “descanso e digestão”. De forma geral, o PNS actua em oposição ao SNS, revertendo os efeitos da resposta de luta ou fuga. No entanto, será mais correcto dizer que o SNS e o PNS têm uma relação de complementaridade, ao invés de uma de oposição.

* O PNS usa a Ach como neurotransmissor primário
* Quando estimulado, o nervo pré-sináptico liberta acetilcolina (Ach) no gânglio
* A Ach, por sua vez, actua nos receptores nicotínicos dos neurónios pós-sinápticos
* Os nervos pós-sinápticos libertam, então, acetilcolina para estimular os receptores muscarínicos do órgão alvo

Os seguintes efeitos são vistos como o resultado da activação do PNS:

* Diminuição da transpiração
* Aumento dos movimentos peristálticos
* Diminuição da frequência cardíaca (diminuição da velocidade de condução, aumento do período refractário)
* Constrição das pupilas
* Diminuição de pressão arterial (diminuição da contractilidade, aumento da capacidade do coração relaxar e encher)

Os Mensageiros do SNS e PNS


O sistema nervoso autónomo liberta mensageiros químicos para influenciar os seus órgãos alvo. Os mais comuns são a norepinefrina (NE) e a acetilcolina (Ach). Todos os neurónios pré-sinápticos usam a Ach como neurotransmissor. A Ach também é libertada por alguns neurónios pós-sinápticos simpáticos e por todos os neurónios pós-sinápticos parassimpáticos. O SNS usa a NE como principal mensageiro químico pós-sináptico. A NE e a Ach são os neurotransmissores mais conhecidos do ANS. Além dos neurotransmissores, certas substâncias vasoactivas são libertadas por neurónios autónomos pós-sinápticos, as quais se ligam a receptores em células alvo e influenciam o órgão alvo.

Como é que o SNS medeia a sua acção?


No sistema nervoso simpático, catecolaminas (norepinefrina, epinefrina) actuam em receptores específicos localizados na superfície celular dos órgãos alvo. Estes receptores chamam-se receptores adrenérgicos.

* Os receptores Alfa 1 exercem o seu efeito no músculo liso, principalmente por constrição. Os efeitos podem incluir constrição das artérias e veias, diminuição da motilidade do tracto GI (gastrointestinal) e constrição da pupila. Os receptores Alfa 1 estão, geralmente, localizados pós-sinapticamente.

* Os receptores Alfa 2 ligam-se a ambas, epinefrina e norepinefrina, assim reduzindo o efeito dos receptores alfa 1 até certo ponto. Contudo, os receptores alfa 2 têm vários efeitos específicos por si só, incluindo vasoconstrição. Os efeitos podem incluir constrição das artérias coronárias, constrição do músculo liso, constrição das veias, diminuição da motilidade intestinal e inibição da libertação de insulina.

* Os receptores Beta 1 exercem o seu efeito principalmente no coração, causando um aumento do débito cardíaco, da contractilidade e da condução cardíaca, levando ao aumento da frequência cardíaca. Também existe estimulação das glândulas salivares.

* Os receptores Beta 2 exercem o seu efeito, principalmente, nos músculos esquelético e cardíaco. Ocorre um aumento da velocidade de contracção e massa dos músculos, bem como uma dilatação dos vasos sanguíneos. Os receptores são estimulados por neurotransmissores circulantes (catecolaminas).

Como é que o PNS medeia a sua acção?


Como já foi mencionado, a acetilcolina é o principal neurotransmissor do PNS. A acetilcolina actua em receptores colinérgicos conhecidos como receptores muscarínicos e nicotínicos. Os receptores muscarínicos exercem o seu efeito no coração. Existem dois receptores muscarínicos principais:

Receptores M2 - accionados pela acetilcolina, os receptores M2 encontram-se no coração; a estimulação destes receptores diminui a actividade cardíaca (diminuição da frequência cardíaca e contractilidade e aumento da refractariedade).

Receptores M3 - localizados em todo o corpo; a activação causa aumento da síntese de óxido nítrico, o que resulta no relaxamento das células musculares lisas cardíacas.

Como está organizado o sistema nervoso autónomo?


Como discutido anteriormente, o sistema nervoso autónomo está subdividido em duas divisões separadas: o sistema nervoso simpático e o sistema nervoso parassimpático. É importante compreender o modo de funcionamento destes dois sistemas, a fim de determinar como cada um deles afecta o corpo, tendo em mente que ambos os sistemas funcionam em sinergia para manter a homeostasia do organismo.

Tanto os nervos simpáticos como os parassimpáticos libertam neurotransmissores, principalmente norepinefrina e epinefrina para o sistema nervoso simpático, e acetilcolina para o sistema nervoso parassimpático. Estes neurotransmissores (também chamados de catecolaminas) transmitem os sinais nervosos através das falhas (sinapses) criadas quando o nervo se liga a outros nervos, células ou órgãos. Os neurotransmissores ligam-se assim a qualquer receptor simpático ou receptor parassimpático no órgão alvo para exercer o seu efeito. Esta é uma versão simplificada do funcionamento do sistema nervoso autónomo.

Como é controlado o sistema nervoso autónomo?


O ANS não está sob controlo consciente. Existem vários centros que têm papéis importantes no controlo do ANS:
* Córtex cerebral- as áreas do córtex cerebral controlam a homeostasia ao regularem o SNS, o PNS e o hipotálamo.
* Sistema límbico- o sistema límbico é composto pelo hipotálamo, a amígdala, o hipocampo, e outras áreas das proximidades. Estas estruturas encontram-se em ambos os lados do tálamo, mesmo sob o cérebro.
* Hipotálamo - as células que conduzem o ANS estão localizadas na medula lateral. O hipotálamo projecta-se para esta área, que inclui os núcleos vagais parassimpáticos e também para um grupo de células que conduzem ao sistema simpático, na espinal medula. Ao interagir com estes sistemas, o hipotálamo controla a digestão, a frequência cardíaca, a sudorese e outras funções.
* Tronco cerebral- o tronco cerebral funciona como o elo entre a espinal medula e o cérebro. Neurónios sensoriais e motores viajam através do tronco cerebral, transmitindo mensagens entre o cérebro e a espinal medula. O tronco cerebral controla muitas funções autónomas do PNS, incluindo a respiração, frequência cardíaca e pressão arterial.
* Espinal medula- duas cadeias de gânglios estão localizadas de cada lado da espinal medula. As cadeias exteriores formam o sistema nervoso parassimpático, as cadeias mais próximas da medula espinal formam o elemento simpático.

Quais são alguns dos receptores do sistema nervoso autónomo?


As dendrites de neurónios sensoriais são receptores sensoriais altamente especializados, recebendo tipos específicos de estímulos. Não sentimos, conscientemente, os impulsos destes receptores (excepto, talvez, a dor). Existem inúmeros receptores sensoriais:

* Fotoreceptores- respondem à luz
* Termoreceptores- respondem a alterações de temperatura
* Mecanoreceptores- respondem à distensão e pressão (pressão arterial ou toque)
* Quimioreceptores- respondem a alterações da química corporal interna (O2, CO2) e químicos dissolvidos durante sensações de sabor e cheiro
* Nociceptores- respondem a vários estímulos associados com danos de tecidos (cérebro interpreta a dor)

Os neurónios motores autónomos (viscerais) fazem sinapse em neurónios localizados nos gânglios do sistema nervoso simpático e parassimpático, que por sua vez inervam directamente os músculos e algumas glândulas. Desta forma, pode dizer-se que os neurónios motores viscerais inervam indirectamente os músculos lisos das artérias e músculo cardíaco. Os neurónios motores autónomos funcionam aumentando (no SNS) ou diminuindo (no PNS) as actividades dos tecidos alvo. Além disso, os neurónios motores autónomos podem continuar a funcionar mesmo que o abastecimento de nervos seja danificado, ainda que em menor extensão.

Onde estão localizados os neurónios do sistema nervoso autónomo?


O ANS é essencialmente composto por dois tipos de neurónios ligados em séries. O núcleo do primeiro neurónio está localizado no sistema nervoso central. (os neurónios do SNS começam nas áreas torácica e lombar da espinal medula, os neurónios do PNS começam nos nervos cranianos e espinal medula sacral). Os axónios do primeiro neurónio estão localizados nos gânglios autónomos. Em termos do segundo neurónio, o seu núcleo está localizado nos gânglios autónomos, enquanto os axónios estão localizados nos tecidos alvo. Os dois tipos de neurónios gigantes comunicam usando acetilcolina. No entanto, o segundo neurónio comunica com o tecido alvo utilizando acetilcolina (PNS) ou norepinefrina (SNS). Ambos, PNS e SNS, estão ligados ao hipotálamo.

SimpáticoParassimpático
FunçãoPara defender o corpo, contra ataquesCurar, regenerar e, nutrir o corpo
Efeito GeralCatabólico (destrói e corpo)Anabólico (constrói o corpo)
Órgãos e Glândulas Que ActivaCérebro, músculos, a insulina no pâncreas e a tiróide e glândulas adrenaisFígado, rins, enzimas pancreáticas, baço, estômago, intestine Delgado e cólon
Hormonas e Substâncias Que AumentaInsulina, cortisol e as hormonas tiroideiasHormona paratiroideia, enzimas pancreáticas, bílis e outras enzimas digestivas
Funções Corporais que ActivaAumenta a pressão arterial e o açúcar no sangue, e aumenta a produção de calorActiva a digestão, eliminação e o sistema imunitário
Qualidades PsicológicasMedo, culpa, tristeza, raiva, teimosia e agressividade.Calma, contentamento e relaxamento
Factores Que Activam Este SistemaStress, medos, raiva, preocupação, pensar demasiado e demasiado exercícioDescanso, sono, meditação, terapias de relaxamento e sensação de ser amado

Autonomic Balance Analysis - ANS

Sistema Nervoso Autónomo - Revisão


O sistema nervoso autónomo funciona no sentido de sustentar a vida ao exercer controlo sobre as seguintes funções/sistemas:
* Coração (controlo da frequência cardíaca através da contractilidade, estados refractários e condução)
* Vasos sanguíneos (constrição e dilatação de artérias/veias)
* Pulmões (relaxamento dos músculos lisos do bronquíolos)
* Sistema digestivo (motilidade gastrointestinal, produção de saliva, controlo de esfíncteres, produção de insulina no pâncreas, etc)
* Sistema imunitário (inibição de mastócitos)
* Equilibro de líquidos (constrição da artéria renal, secreção de renina)
* Diâmetro da pupila (constrição e dilatação da pupila e músculos ciliares)
* Transpiração (estimula secreção da glândula sudorípara)
* Sistema reprodutivo (em homens, erecção e ejaculação; em mulheres, contracção e relaxamento do útero)
* Sistema urinário (relaxamento e contracção da bexiga e músculo detrusor, esfíncter uretral)

O ANS, através dos dois ramos (simpático e parassimpático), controla o consumo energético. O ramo simpático vai mediar o consumo enquanto o parassimpático tem uma função restauradora. De forma geral:
* O sistema nervoso simpático causa uma aceleração das funções corporais (taxas cardíacas e respiratórias) e protege o centro do corpo desviando sangue das extremidades para o centro
* O sistema nervoso parassimpático causa uma desaceleração das funções corporais (taxas cardíacas e respiratórias) e favorece a cura, descanso e recuperação, bem como coordena as respostas imunitárias.

A saúde pode ser adversamente afectada quando os efeitos de um destes sistemas não são controlados pelo outro, resultando numa perturbação da homeostasia. O ANS afecta alterações corporais que devem ser temporárias; por outras palavras, o corpo deve voltar ao seu estado basal. É natural que existam breves desvios da linha basal homeostática, mas o retorno à linha de base deve ocorrer em tempo hábil. Quando um sistema é persistentemente activado (aumento do tónus), a saúde pode ser afectada adversamente.

Os ramos do sistema autónomo estão concebidos para se oporem (e assim se equilibrarem). Por exemplo, quando o sistema nervoso simpático começa a trabalhar, o sistema nervoso parassimpático entra em acção para colocar o sistema nervoso simpático de volta no estado basal. Portanto, não é difícil compreender que a acção persistente de um ramo pode causar uma diminuição do tónus do outro, o que pode levar a problemas de saúde. Um equilíbrio entre os dois é necessário e saudável.

O sistema nervoso parassimpático tem uma capacidade mais rápida de responder a alterações do que o sistema nervoso simpático. Por que estamos concebidos desta forma? Imagine se não estivéssemos: a exposição a um factor de stress provoca taquicardia; se o sistema parassimpático não começar imediatamente a combater o aumento da frequência cardíaca, ela pode continuar a aumentar até ritmos perigosos como a fibrilação ventricular. Porque os nervos parassimpáticos são capazes de responder tão rapidamente, situações perigosas como a descrita acima não podem ocorrer. O sistema nervoso parassimpático é o primeiro a indicar uma mudança no estado de saúde do corpo. O parassimpático é o principal factor de influência sobre a actividade respiratória. Tal como no coração, as fibras nervosas parassimpáticas fazem sinapse profundamente dentro do músculo cardíaco, enquanto as fibras nervosas simpáticas fazem sinapse na superfície do coração. Assim, o parassimpático é mais sensível a danos no coração.

Transmissão De Estímulos Autónomos


Os neurónios geram e propagam potenciais de acção ao longo dos seus axónios. Então, eles transmitem sinais pela sinapse através da libertação de substâncias químicas chamadas neurotransmissores, os quais estimulam uma reacção noutra célula efectora ou neurónio. Este processo pode causar estimulação ou inibição da célula receptora, dependendo dos neurotransmissores e receptores envolvidos.

Propagação - ao longo do axónio, o potencial de propagação é eléctrico e ocorre através da troca de iões N+ e K+ na membrana do axónio. Neurónios individuais geram o mesmo potencial depois de receberem cada estímulo e conduzem o potencial a uma velocidade fixa ao longo do axónio. A velocidade depende do diâmetro do axónio e de quão mielinizado ele é - mais rápida em fibras mielinizadas porque o axónio está exposto a intervalos regulares (nódulos de Ranvier). O impulso "salta" de um nó para o próximo, ignorando as secções mielinizadas.

Transmissão- a transmissão é química, resultando da libertação de neurotransmissores específicos no terminal (final do nervo). Estes neurotransmissores difundem-se através da fenda sináptica e ligam-se a receptores específicos da célula efectora ou neurónio adjacente. A resposta pode ser excitatória ou inibitória, dependendo do receptor. A interacção neurotransmissor-receptor deve ocorrer e terminar rapidamente. Isto permite a activação repetida e rápida dos receptores. Os neurotransmissores podem ser "reutilizados" através de uma de três formas:
* Recaptação - os neurotransmissores são rapidamente bombeados de volta para os terminais nervosos pré-sinápticos
* Destruição - os neurotransmissores são destruídos por enzimas localizadas perto dos receptores
* Difusão- os neurotransmissores podem difundir-se para áreas envolventes e até mesmo serem removidos

Receptores- são complexos proteicos que cobrem a membrana celular. A maioria interage com receptores pós-sinápticos; alguns estão localizados nos neurónios pré-sinápticos, o que permite um controlo mais exacto da libertação do neurotransmissor. Existem dois neurotransmissores principais no sistema nervoso autónomo:
* Acetilcolina- o principal neurotransmissor das fibras autónomas pré-sinápticas e fibras parassimpáticas pós-sinápticas.
* Norepinefrina- o neurotransmissor da maioria das fibras simpáticas pós-sinápticas

Funções Do Sistema Nervoso Autónomo


O Sistema Parassimpático


Resposta de “descanso e digestão”:
* Aumento do fluxo sanguíneo no tracto gastrointestinal, o que ajuda a satisfazer as maiores exigências metabólicas colocadas no corpo pelo tracto GI
* Constrição dos bronquíolos quando os níveis de oxigénio normalizam
* Controlo do coração através dos ramos cardíacos do nervo Vago e nervos acessórios espinais da espinal medula torácica
* Constrição da pupila, permitindo controlo de visão ao perto
* Estimulação da produção de saliva e aumento do peristaltismo para ajudar na digestão
* Relaxamento/contracção do útero em mulheres e erecção/ejaculação em homens

Para entender o funcionamento do sistema nervoso parassimpático, é útil a utilização de um exemplo real:

A resposta sexual masculina está sob o controlo directo do CNS. As erecções são controladas pelo sistema parassimpático através de vias excitatórias. Sinais excitatórios originam no cérebro, através do pensamento, visão ou estimulação directa. Independentemente da origem do sinal de excitação, os nervos penianos respondem com liberação de acetilcolina e óxido nítrico, o que por sua vez, sinaliza os músculos lisos das artérias do pénis para relaxarem e encherem-se de sangue. Esta cascata de eventos resulta em erecção.

O Sistema Simpático


Resposta de “luta ou fuga”:
* Estimulação das glândulas sudoríparas
* Constrição dos vasos sanguíneos periféricos para desviar o sangue para o centro, onde é preciso
* Aumento da oferta de sangue para os músculos esqueléticos que podem ser necessários para a actividade
* Dilatação dos bronquíolos em condições de baixo nível de oxigénio no sangue
* Redução do fluxo sanguíneo para o abdómen; diminuição do peristaltismo e actividades digestivas
* Libertação das reservas de glucose do fígado para aumentar a glucose na corrente sanguínea

Tal como com o sistema parassimpático, é útil o uso de um exemplo real para percebermos como o funciona o sistema nervoso simpático:

O calor extremo é um factor de stress que muitos de nós já experimentou. Quando estamos expostos a calor excessivo, o corpo responde da seguinte forma: receptores térmicos transmitem estímulos aos centros de controlo simpático localizados no cérebro. Através dos nervos simpáticos, são enviadas mensagens inibitórias aos vasos sanguíneos da pele, que se dilatam em resposta. Esta dilatação dos vasos sanguíneos aumenta o fluxo de sangue para a superfície do corpo, para que o calor possa ser perdido por radiação. Além da dilatação dos vasos sanguíneos da pele, o corpo também reage ao calor, transpirando. Isto ocorre através do aumento da temperatura corporal, que é detectado pelo hipotálamo, que envia um sinal através dos nervos simpáticos para as glândulas sudoríparas, que aumentam a quantidade de suor produzido. O calor é perdido por evaporação do suor produzido.

Neurónios Autónomos


Os neurónios que conduzem impulsos para fora do sistema nervoso central são chamados neurónios (motores) eferentes. Eles diferem dos neurónios motores somáticos porque os eferentes não estão sob controlo consciente. Os neurónios somáticos enviam axónios para o músculo esquelético, que geralmente está sob controlo consciente.

* Neurónios eferentes viscerais- neurónios motores cuja função é conduzir impulsos para o músculo cardíaco, liso e glândulas. Eles podem originar do cérebro ou espinal medula (CNS). São precisos dois neurónios eferentes viscerais para conduzir um impulso do cérebro ou espinal medula até ao tecido alvo.

* Neurónios pré-ganglionares (pré-sinápticos) - o corpo celular do neurónio está localizado na massa cinzenta da espinal medula ou cérebro. Ele termina num gânglio simpático ou parassimpático.

* Fibras pré-ganglionares autónomas- podem começar no encéfalo posterior, mesencéfalo, porção torácica superior da espinal medula ou quarto nível sacral da espinal medula. Gânglios autónomos podem ser encontrados na cabeça, pescoço ou no abdómen. Cadeias de gânglios autónomos também correm em paralelo em cada um dos lados da coluna vertebral.

* Neurónios pós-ganglionares (pós-sinápticos) - corpo celular está localizado no gânglio autónomo (simpático ou parassimpático). O neurónio acaba numa estrutura visceral (o tecido alvo)

Onde originam as fibras pré-ganglionares e onde são encontrados os gânglios autónomos ajuda na diferenciação entre o sistema nervoso simpático e o sistema nervoso parassimpático.

Divisões Do Sistema Nervoso Autónomo


Um resumo das divisões do ANS:
* Consiste em fibras eferentes viscerais (motoras)
* Dividido em divisão simpática e parassimpática
* Neurónios simpáticos saem do CNS por nervos espinhais localizados nas regiões lombar/torácica da espinal medula
* Neurónios parassimpáticos saem do CNS através de nervos cranianos e também nervos espinhais localizados na espinal medula sacral
* Há sempre dois neurónios envolvidos na transmissão nervosa: pré-sináptico (pré-ganglionar) e pós-sináptico (pós-ganglionar)
* Os neurónios pré-ganglionares simpáticos são relativamente curtos; os neurónios pós-ganglionares simpáticos são relativamente longos
* Os neurónios pré-ganglionares parassimpáticos são relativamente longos; os neurónios pós-ganglionares parassimpáticos são relativamente curtos
* Todos os neurónios do ANS ou são adrenérgicos ou colinérgicos
* Os neurónios colinérgicos usam acetilcolina (Ach) como neurotransmissor (incluindo: neurónios pré-ganglionares do SNS e PNS, todos os neurónios pós-ganglionares do PNS e os neurónios pós-ganglionares do SNS que actuam nas glândulas sudoríparas)
* Os neurónios adrenérgicos usam norepinefrina (NE) como neurotransmissor (incluindo todos os neurónios pós-ganglionares do SNS, excepto os que actuam nas glândulas sudoríparas)

Glândulas Adrenais


As glândulas adrenais estão localizadas acima de cada rim (também chamadas glândulas supra-renais). Encontram-se aproximadamente ao nível da 12ª vértebra torácica. A glândula adrenal tem duas partes, um córtex externo e uma medula interna. Ambas produzem hormonas: o córtex externo produz aldosterona, androgénios e cortisol, enquanto a medula produz epinefrina e norepinefrina. A medula liberta epinefrina e norepinefrina directamente na corrente sanguínea quando o corpo responde a um factor de stress (ou seja, quando o SNS é activado).

As células da medula adrenal são derivadas do mesmo tecido embrionário que os neurónios pós-ganglionares simpáticos; portanto, a medula é semelhante a um gânglio simpático modificado. As células da medula são inervadas por fibras pré-ganglionares simpáticas. Em resposta à estimulação neural, a medula secreta epinefrina para a corrente sanguínea. Os efeitos da epinefrina são semelhantes aos da norepinefrina.

As hormonas produzidas pelas glândulas adrenais são cruciais para o funcionamento normal e saudável do corpo. O cortisol lançado como resposta ao stress crónico (ou aumento do tónus simpático) pode ser prejudicial para o corpo (hipertensão, função imunitária alterada). Se o corpo ficar stressado por tempo prolongado, os níveis de cortisol podem tornar-se insuficientes (fadiga adrenal), causando diminuição do açúcar no sangue, cansaço excessivo e dores musculares.

Divisão Parassimpática (Crânio-Sacral)


A divisão parassimpática do sistema nervoso autónomo é muitas vezes chamada de divisão crânio-sacral. Isto é devido ao facto dos corpos celulares dos neurónios pré-ganglionares estarem localizados nos núcleos do tronco cerebral, e também nos cornos cinzentos laterais do 2º ao 4º segmento sacral da medula espinal; daí o termo crânio-sacral ser muitas vezes utilizado para se referir à divisão parassimpática.

Fluxo de saída cranial parassimpático:
* Consiste em axónios pré-ganglionares mielinizados que emergem do tronco cerebral em nervos cranianos (lll, Vll, lX e X)
* Tem cinco componentes
* Maior no nervo vago (X); transporta fibras pré-ganglionares totalizando quase 80% do fluxo de saída total
* Os axónios acabam em terminais de gânglios nas paredes dos órgãos alvo (efector), onde fazem sinapse com neurónios ganglionares

Fluxo de saída sacral parassimpático:
* Consiste em axónios pré-ganglionares mielinizados que emergem das raízes anteriores do 2º ao 4º nervo sacral
* Em conjunto, eles formam os nervos esplâncnicos pélvicos, que fazem sinapse com os neurónios ganglionares nas paredes dos órgãos reprodutivos/de eliminação

Funções Do Sistema Nervoso Autónomo


A mnemónica inglesa dos “3F’s” (fear, fight, or flight /medo, luta ou fuga) torna mais fácil prever as funções do sistema nervoso simpático. Quando confrontado com situações de intenso medo, ansiedade ou stress, o corpo reage acelerando a frequência cardíaca, aumentando o fluxo de sangue para os órgãos vitais e músculos, atrasando a digestão, alterando a visão para nos permitir ver melhor, e várias outras mudanças que nos permitem reagir rapidamente em situações perigosas ou de stress. Estas reacções têm permitido a nossa sobrevivência como espécie durante milhares de anos.

Como acontece normalmente no corpo humano, o sistema simpático é perfeitamente equilibrado pela divisão parassimpática, que coloca o organismo no estado normal após a activação da divisão simpática. O sistema parassimpático não só restaura o equilíbrio, mas também realiza outras funções importantes na reprodução, descanso, sono e digestão. Cada divisão utiliza diferentes neurotransmissores para executar as suas acções - para o sistema nervoso simpático, a noradrenalina e a adrenalina são os neurotransmissores de eleição, enquanto a divisão parassimpática usa acetilcolina para executar as suas funções.

Neurotransmissores Do Sistema Nervoso Autónomo


NeurotransmissoresSistema Nervoso SimpáticoSistema Nervoso Parassimpático
Acetilcolinafibras pré-ganglionaresfibras pré-ganglionares; fibras pós-ganglionares nas sinapses com células efectoras (colinérgicas)
Norepinefrinafibras pós-ganglionares nas sinapses com células efectoras (adrenérgicas)

A tabela acima descreve os principais neurotransmissores da divisão simpática e parassimpática. Existem algumas situações especiais que devem ser referidas:

* Algumas fibras simpáticas que enervam glândulas sudoríparas e vasos sanguíneos de músculos esqueléticos libertam acetilcolina

* As células da medula adrenal estão intimamente relacionadas com neurónios pós-ganglionares simpáticos; elas libertam epinefrina e norepinefrina, tal como os neurónios pós-ganglionares simpáticos

Receptores Do ANS


A tabela seguinte descreve os receptores do ANS, incluindo a sua localização:

ReceptoresDivisão ANSLocalizaçãoAdrenérgico ou Colinérgico
Receptores NicotínicosparassimpáticaANS (divisão simpática e parassimpática) gânglios; células muscularesColinérgico
Receptores Muscarínicos (M2, M3 efeito actividade cardiovascular)parassimpáticaM2- localizado no coração (accionado pela acetilcolina); M3- localizado na árvore arterial (óxido nítrico)Colinérgico
Receptores Alfa 1simpáticalocalizados nos vasos sanguíneos; principalmente pós-sinapticamenteAdrenérgico
Receptores Alfa 2simpáticalocalizados pré-sinapticamente em terminais nervosos; Localizados distalmente à fenda sinápticaAdrenérgico
Receptores Beta 1simpáticalipócitos; sistema de condução cardíacoAdrenérgico
Receptores Beta 2simpáticaPrincipalmente em artérias (coronárias e músculo esquelético)Adrenérgico

Agonista E Antagonista


A fim de entender como certos medicamentos afectam o sistema nervoso autónomo, é necessário definir alguns termos:

* Agonista simpático (simpaticomimético) - um medicamento que estimula o sistema nervoso simpático
* Antagonista simpático (simpaticolítico) - um medicamento que inibe o sistema nervoso simpático
* Agonista parassimpático (parassimpaticomimético) - um medicamento que estimula o sistema nervoso parassimpático
* Antagonista parassimpático (parassimpaticolítico) - um medicamento que inibe o sistema nervoso parassimpático

(Uma forma de não misturar os termos é pensar no sufixo - mimético significa “imitar”; por outras palavras, imita a acção. “lítico” normalmente significa destruição, então pode pensar no sufixo - lítico como inibidor ou destruidor da acção no sistema em questão).

Respostas À Estimulação Adrenérgica


As respostas adrenérgicas no corpo são estimuladas por compostos que sejam quimicamente semelhantes à adrenalina. A norepinefrina, que é libertada das terminações nervosas simpáticas, e a epinefrina (adrenalina) na corrente sanguínea são os transmissores adrenérgicos mais importantes. A estimulação adrenérgica pode ter efeitos excitatórios e inibitórios, dependendo do tipo de receptor no órgão (alvo) efector:

Efeito no Órgão AlvoEfeito Estimulatório ou Inibitório
Dilatação das pupilasestimulatório
Diminuição da secreção de salivainibitório
Aumento da frequência cardíacaestimulatório
Aumento do débito cardíacoestimulatório
Aumento da taxa respiratóriaestimulatório
Broncodilataçãoinibitório
Aumento da pressão arterialestimulatório
Diminuição da motilidade/secreção do sistema digestivoinibitório
Contracção do esfíncter rectal internoestimulatório
Relaxamento dos músculos lisos da bexigainibitório
Contracção do esfíncter uretral internoestimulatório
Estimulação da quebra de lípidos (lipólise)estimulatório
Estimulação da quebra do glicogénioestimulatório

Perceber os 3 F’s (fear, fight or flight/medo, luta ou fuga) pode ajudá-lo a imaginar a resposta que pode ser esperada. Por exemplo, perante uma situação perigosa faz sentido que o coração e a pressão arterial aumentem, a quebra de glicogénio ocorra (para criar a energia necessária) e a sua taxa de respiração aumente. Todos estes são efeitos estimuladores. Por outro lado, se enfrentar uma situação perigosa, a digestão não será uma prioridade, sendo esta função suprimida (inibida).

Respostas À Estimulação Colinérgica


É útil lembrar que a estimulação parassimpática, geralmente, é oposta aos efeitos da estimulação simpática (pelo menos nos órgãos que têm inervação dupla - há sempre uma excepção à regra). Um exemplo de uma excepção é as fibras parassimpáticas que inervam o coração - a inibição causa desaceleração da frequência cardíaca.

Efeito no Órgão AlvoEfeito Estimulatório ou Inibitório
Motilidade/secreção do sistema digestivoestimulatório
Diminuição da frequência cardíacainibitório
Diminuição do débito cardíacoinibitório
Broncoconstriçãoestimulatório
Constrição da pupilaestimulatório
Aumento da produção de salivaestimulatório
Contracção dos músculos lisos da bexigaestimulatório
Relaxamento do esfíncter uretral internoestimulatório
Contracção dos músculos do cólon (defecação)estimulatório
Relaxamento do esfíncter anal internoestimulatório

Efeitos Complementares De Ambas As Divisões


A glândula salivar é activada por ambas as divisões, simpática e parassimpática, do ANS. Os nervos simpáticos estimulam a constrição dos vasos sanguíneos do tracto alimentar, resultando em diminuição do fluxo sanguíneo para as glândulas salivares, o que por sua vez causa uma saliva mais espessa. Os nervos parassimpáticos estimulam a secreção de saliva aquosa e diluída. Assim, as duas divisões agem de forma diferente, mas complementar.

Efeitos Cooperantes De Ambas As Divisões


A cooperação entre a divisão simpática e a parassimpática do ANS pode ser melhor visualizada nos sistemas urinário e reprodutivo:

* Sistema reprodutivo- as fibras simpáticas estimulam a ejaculação do sémen e os reflexos peristálticos nas mulheres; as fibras parassimpáticas causam vasodilatação, resultando na erecção do pénis nos homens e do clitóris nas mulheres

* Sistema urinário- as fibras simpáticas estimulam o reflexo de vontade de urinar ao aumentar o tónus da bexiga; os nervos parassimpáticos promovem a contracção da bexiga urinária

Órgãos Com Inervação Dupla


A maioria dos órgãos do corpo é inervada por fibras nervosas, tanto do sistema nervoso simpático como do parassimpático. Existem poucas excepções:
* Medula adrenal
* Glândulas sudoríparas
* Músculos erectores do pêlo
* Maioria dos vasos sanguíneos

Estes órgãos/tecidos são inervados apenas por fibras simpáticas. Como é que o corpo regula a sua acção? O corpo mantém controlo através do aumento e diminuição do tónus das fibras simpáticas (taxa de disparo). Ao controlar a estimulação das fibras simpáticas, a acção destes órgãos pode ser regulada.

Stress E ANS


Quando uma pessoa é colocada numa situação perigosa, mensagens dos nervos sensoriais são levadas até ao córtex cerebral e sistema límbico (o cérebro “emocional”) e também ao hipotálamo. A porção anterior do hipotálamo excita o sistema nervoso simpático. O bolbo raquidiano contém centros que controlam muitas funções do sistema digestivo, cardiovascular, pulmonar, reprodutivo e urinário. O nervo vago (que possui fibras sensoriais e motoras) fornece informação sensorial a estes centros através das suas fibras aferentes. O bolbo raquidiano é regulado pelo hipotálamo, córtex cerebral e sistema límbico. Portanto, existem várias áreas envolvidas na resposta do corpo ao stress.

Quando uma pessoa é exposta a um stress extremo (imagine uma situação aterrorizante que ocorre sem aviso, como um animal selvagem prestes a atacar), o sistema nervoso simpático pode ficar completamente paralisado e as suas funções podem parar completamente. A pessoa pode ficar estática no lugar, incapaz de se mexer. Pode perder o controlo da bexiga. Isto deve-se a um número tremendo de sinais que o cérebro tem de “perceber” e um correspondente fluxo tremendo de adrenalina. Felizmente, a maioria das vezes não estamos expostos a stress desta magnitude e o nosso sistema nervoso autónomo funciona como é suposto!

Distúrbios Claramente Relacionados Com Envolvimento Autónomo


Existem várias doenças/condições que resulta da disfunção do sistema nervoso autónomo:

* Hipotensão ortostática - os sintomas incluem tonturas com a alteração da posição (estar sentado e levantar), desmaio, visão turva, e por vezes náuseas. Às vezes é causada por falha dos baroreceptores em sentir e responder à diminuição de pressão arterial causada pela acumulação de sangue nas pernas.

* Síndrome de Horner - os sintomas incluem diminuição da transpiração, pálpebra descaída e constrição da pupila afectando um lado da face. É causado por danos nos nervos simpáticos dos olhos e face.

* Doença de Hirschsprung - também chamada de megacólon congénito, esta doença apresenta dilatação do cólon e obstipação grave. É causada por falta de gânglios parassimpáticos na parede do cólon.

* Síncope vasovagal - uma causa de desmaios, a síncope vasovagal ocorre quando o ANS responde anormalmente a um estímulo (visões perturbadoras, esforço ao evacuar, estar em pé durante muito tempo) diminuindo a frequência cardíaca e dilatando os vasos sanguíneos das pernas, permitindo a acumulação de sangue nas extremidades inferiores, resultando em redução rápida da pressão arterial.

* Fenómeno de Raynaud- esta condição afecta frequentemente mulheres jovens, causando descoloração dos dedos das mãos e pés, e ocasionalmente das orelhas e outras áreas do corpo. É causado pela vasoconstrição extrema dos vasos sanguíneos periféricos, resultado da hiperactivação do sistema nervoso simpático. É, muitas vezes, precipitado pelo stress e frio.

* Choque espinhal- causado por lesões graves ou danos na espinal medula, o choque espinhal pode causar disreflexia autónoma, caracterizada por transpiração, hipertensão severa e perda de controlo dos intestinos e bexiga, resultado da estimulação simpática abaixo do nível da lesão na medula, que não é controlada pelo sistema parassimpático.

Neuropatia Autónoma


As neuropatias autonómicas (AN) são uma colecção de condições e doenças que afectam neurónios simpáticos ou parassimpáticos (ou, por vezes, ambos). Elas podem ser hereditárias (presentes desde o nascimento e transmitidas por um progenitor afectado) ou adquiridas mais tarde.

O sistema nervoso controla muitas funções corporais, portanto as neuropatias autónomas podem causar uma série de sintomas e sinais que podem ser descobertos através de exames ou estudos laboratoriais. Por vezes, apenas um único nervo do ANS está afectado; contudo, os médicos devem estar atentos ao desenvolvimento de sintomas decorrentes do envolvimento de outras áreas do ANS. As neuropatias autonómicas podem causar uma grande variedade de sintomas clínicos. Estes sintomas dependem dos nervos do ANS que estão afectados.

Os sintomas podem ser variáveis e podem afectar quase todos os sistemas corporais:

* Sistema integumentar - cor pálida, falta de capacidade de suar afectando um lado da face, comichão, hiperalgesia (hipersensibilidade da pele), pele seca, pés frios, unhas quebradiças, sintomas pioram à noite, falta de crescimento de pêlo na zona inferior das pernas

* Sistema cardiovascular - palpitações (ritmo acelerado ou pausas de batimentos), tremores, visão turva, tonturas, pré-síncope, falta de ar, dor no peito, zumbido nos ouvidos, desconforto nas extremidades inferiores, desmaios

* Sistema gastrointestinal - diarreia ou prisão de ventre, sensação de enfartamento depois de comer muito pouco (início de saciedade), dificuldades em engolir, incontinência, diminuição da salivação, gastroparesia, desmaios durante actividades na casa de banho, aumento da motilidade gástrica, vómitos (associado com gastroparesia)

* Sistema Genital-urinário - disfunção eréctil, incapacidade de ejacular, incapacidade de atingir o orgasmo (em mulheres e homens), ejaculação retrógrada, urgência e frequência urinária, retenção urinária (incontinência por transbordamento), incontinência urinária (stress ou incontinência), noctúria, enurese, esvaziamento incompleto da bexiga

* Sistema respiratório- diminuição da resposta aos estímulos colinérgicos (broncoconstrição inadequada), resposta inadequada a níveis baixos de oxigénio no sangue (resposta da frequência cardíaca e ventilação)

* Sistema nervoso - sensação de ardor nos pés, incapacidade de regular a temperatura corporal

* Sistema ocular - visão turva/esbatida, fotofobia, visão em túnel, lacrimejamento reduzido, dificuldade em focar, perda de tamanho papilar ao longo do tempo

As causas da neuropatia autónoma podem estar relacionadas com várias doenças/condições, medicamentos usados para tratar outras doenças ou procedimentos (como cirurgia):

* Alcoolismo - exposição crónica ao etanol (álcool) pode levar a transporte axonal inadequado e danos nas propriedades citoesqueléticas. O álcool tem demonstrado ser tóxico para nervos periféricos e autónomos.

* Amiloidose - nesta condição, proteínas insolúveis são depositadas em vários tecidos e órgãos; a disfunção autonómica é comum, tanto na amiloidose primária como na hereditária.

* Doenças auto-imunes - porfiria intermitente e variegata agudas, síndrome de Holmes-Adie, síndrome de Ross, mieloma múltiplo e POTS (síndrome de taquicardia postural ortostática) são todos exemplos de doenças que têm um componente auto-imune/causa conhecido ou especulado. O sistema imune identifica erradamente os tecidos do corpo como sendo estranhos e tenta destruí-los, levando a danos generalizados nos nervos.

* Diabetes - a neuropatia ocorre comumente na diabetes, afectando nervos motores e sensoriais; a diabetes é a causa mais comum de AN.

* Atrofia de múltiplos sistemas - esta é uma desordem neurológica que causa degeneração das células nervosas, causando alterações nas funções autónomas e problemas de movimento e equilíbrio.

* Nervos danificados - os nervos podem ser danificados como resultado de um trauma ou cirurgia, resultando em disfunção autónoma.

* Medicamentos - medicamentos usados para tratar outras desordens podem afectar o ANS. Seguem-se alguns exemplos:

Medicamentos que aumentam a actividade simpática (simpaticomiméticos): anfetaminas, inibidores da monoamina oxidase (antidepressivos) estimulantes beta adrenérgicos

Medicamentos que diminuem a actividade simpática (simpaticolíticos): bloqueadores alfa e beta (metoprolol), barbitúricos, anestésicos

Medicamentos que aumentam a actividade parassimpática (parassimpaticomiméticos): anticolinesterases, colinomiméticos, inibidores reversíveis carbamatos

Medicamentos que diminuem a actividade parassimpática (parassimpaticolíticos): anticolinérgicos, tranquilizantes, antidepressivos

Obviamente, alguns indivíduos não podem controlar os seus factores de risco para neuropatia autonómica (ex. causas hereditárias de AN). A diabetes é, de longe, o factor mais contribuinte para AN e coloca os indivíduos com a doença em alto risco. Os diabéticos podem reduzir o seu risco de AN ao controlarem cuidadosamente os níveis de açúcar para prevenir danos nos nervos. O tabaco, consumo regular de álcool, hipertensão, hipercolesterolemia (altos níveis de colesterol no sangue) e obesidade também podem aumentar o risco de desenvolver AN, pelo que estes factores devem ser controlados o mais possível para reduzir o risco de desenvolver AN.

O tratamento da disfunção autonómica é em grande parte dependente da causa da AN. Quando o tratamento da causa subjacente não é possível, o médico irá tentar várias terapias para atenuar os sintomas da AN:

* Sistema integumentar – comichão (prurido) pode ser tratado com medicamentos ou combatido com hidratação da pele, o que pode ser a causa primária de prurido; hiperalgesia da pele pode ser tratada com medicamentos como a gabapentina, um medicamento usado para tratar a neuropatia e dor do nervo.

* Sistema cardiovascular – os sintomas da hipotensão ortostática podem ser melhorados com o uso de meias de compressão, aumento do consumo de líquidos, aumento do sal na alimentação e medicamentos que regulam a pressão arterial (fludrocortisonas). A taquicardia pode ser tratada com betabloqueadores. Os pacientes podem ser aconselhados a evitar determinadas mudanças de posição.

* Sistema gastrointestinal – os pacientes podem ser aconselhados a comer refeições pequenas e frequentes se tiverem gastroparesia. Medicamentos podem por vezes ser úteis para aumentar a motilidade (Reglan). O aumento de fibra na dieta pode ajudar com a obstipação. A reeducação intestinal também pode ser útil para o tratamento de problemas intestinais. A diarreia é, às vezes, amenizada por antidepressivos. Comer uma dieta pobre em gordura e rica em fibras pode melhorar a digestão e a prisão de ventre. Os diabéticos devem esforçar-se para normalizar o açúcar no sangue.

* Sistema genital-urinário – reeducação da bexiga, medicamentos para a bexiga hiperactiva, cateterismo intermitente (usado para esvaziar completamente a bexiga quando o esvaziamento incompleto da bexiga é um problema) e medicamentos para tratar a disfunção eréctil (Viagra) podem ser usados para tratar problemas sexuais.

* Problemas oculares – medicamentos para reduzir o lacrimejamento são, por vezes, receitados.