Análise De Impedância Bioeléctrica (BIA) E Análise De Composição Corporal


Como médico, sabe que o Índice de Massa Corporal (IMC), por si só, não basta para analisar satisfatoriamente o estado de saúde e a composição corporal de um paciente.
Gordura, músculo, água e outros indicadores importantes de condições médicas subjacentes não são considerados no IMC.
Motivo mais do que suficiente para a Medeia desenvolver, precisamente, um novo dispositivo que mede a composição corporal dos pacientes - o "BCA" (Analisador de Composição Corporal). Este componente do QBioscan produz todas estas medições e valores de acordo com os mais elevados standards da ciência médica.

Como resultado, existe agora uma ferramenta que consegue determinar, em menos de 20 segundos, a massa gorda, o líquido intracelular e extracelular e a massa músculo-esquelética – todos componentes essenciais de avaliação que ajudam a avaliar correctamente o paciente. Simples, fácil de usar e com precisão médica, este dispositivo pode ser integrado facilmente nos seus exames de rotina.

Para que o QBioscan seja o Analisador de Composição Corporal médico ideal para utilizar em hospitais e consultórios médicos, olhámos além dos muitos requisitos técnicos, paras as importantes vantagens e benefícios que equipas médicas e pacientes valorizam. Percebemos que tinha de ser rápido e fácil de usar, e os resultados da medição teriam que ser reproduzidos em condições de trabalho clínico normais. Foi assim que concebemos e construímos o QBioscan.

O QBioscan oferece a médicos e outros utilizadores uma miríade de opções de diagnóstico. Módulos analíticos disponibilizam rácios precisos de, por exemplo, líquido extracelular para líquido intracelular, ou massa gorda para peso, e faculta aos médicos indicações de problemas de saúde que, de outra forma, iriam necessitar de exames complementares para serem diagnosticados. A apresentação gráfica dos resultados é outro dos benefícios. Disponibiliza um resumo e uma visão geral e ajuda a visualizar os dados.

Energia
O módulo de energia do QBioscan fornece informação sobre a energia armazenada no corpo de um indivíduo. Não só calcula o gasto de energia total e em repouso, como além dos absolutos, mostra também os valores relativos de massa gorda e peso.

• Energia armazenada no corpo
• Massa gorda (FM/%FM)
• Gasto energético total (TEE)
• Gasto energético em repouso (REE)

Líquidos
O módulo Líquidos fornece conclusões sobre a água corporal total e detalhes sobre o líquido extracelular e intracelular. É possível apresentar graficamente o estado dos líquidos de um paciente com a Análise Vectorial de Impedância Bioeléctrica (BIVA). No caso de a proporção de água extracelular ser excepcionalmente elevada, isso poderá ser uma indicação de que o paciente retém líquidos.

• Água corporal total (TBW)
• Líquido extracelular (ECW)
• Hidratação (HYD) = Líquido extracelular/Líquido intracelular
• Análise Vectorial de Impedância Bioeléctrica (BIVA)

Função/Reabilitação
Com a ajuda do módulo Função/Reabilitação, é possível medir o nível de aptidão e actividade metabólica do paciente e acompanhar o progresso do treino. A Medeia também desenvolveu um Gráfico de Composição Corporal (BCC) que ajuda a analisar a composição geral corporal. Ilustra os pontos de medição dos índices de massa gorda num sistema de coordenadas.

• Massa livre de gordura (FFM)
• Massa gorda (FM/%FM)
• Índices de massa gorda (FFMI)
• Massa músculo-esquelética (SMM)

Risco de saúde
Para determinar o prognóstico geral de saúde de um paciente, o módulo Risco de saúde e a sua diferença de fase permite tirar conclusões sobre a condição das células do corpo, e de todo o organismo, e apresentar a sua avaliação no BIVA. Integrado na BCC, este módulo avalia ainda o índice de massa gorda (FMI) e o índice de massa livre de gordura (FFMI).

• Ângulo de fase (f)
• Hidratação (HYD) = Líquido extracelular (ECW) /Líquido intracelular (ICW)
• Análise Vectorial de Impedância Bioeléctrica (BIVA)
• Índices de massa gorda (FFMI/FMI)

O Que É A Composição Corporal?


Os elementos necessários para compor o corpo humano são denominados de composição corporal e estão separados em dois grupos: massa magra e gordura corporal. O primeiro inclui músculos, água corporal, proteínas e minerais, e a água corporal divide-se em intracelular e extracelular. As células adquirem o seu volume através do líquido intracelular e o sangue, linfa, etc., são componentes do líquido extracelular; enquanto o somatório de ambos, líquido intracelular e tecido metabolicamente activo, é determinado como massa celular corporal.

Os Fundamentos


Os elementos do corpo humano incluem proteínas, água, gorduras, minerais e outros componentes importantes numa determinada proporção. Enquanto a composição corporal é equilibrada nas pessoas saudáveis, nas pessoas doentes o equilíbrio é instável. A possibilidade de analisar e avaliar o equilíbrio da composição corporal é um passo em frente importante para avaliar o estado metabólico e utilizá-lo como um índice de obesidade, edema, subnutrição e deficiência de proteínas. Enquanto ferramenta essencial para a realização de exames de saúde, o analisador de composição corporal pode ser utilizado para prevenir e curar doenças, através da detecção precoce de um desequilíbrio na mesma.

Configuração Da Composição Corporal



ICW + ECW = Água Corporal
Água Corporal + Proteína = S.L.M.
S.L.M. + Minerais = L.B.M.
L.B.M. + Massa Gorda = Peso Corporal

Massa magra mais gordura = peso.
Na folha de resultados encontra-se uma tabela de composição corporal que classifica as conclusões após comparação da composição real com a composição normal, avaliando-as como ABAIXO/IDEAL/ACIMA. Os valores standard da composição corporal são apresentados em [].

História


A história da análise de impedância bioeléctrica é longa e remonta a 1786, quando o físico Italiano, Galvani, efectuou experiências nas estruturas de tecido de um sapo e observou o efeito da corrente eléctrica nele. Uma vez que acabou por não desenvolver e definir os seus estudos, não foi até muito mais tarde, por volta de 1960, que esta matéria voltou a merecer atenção.

Thomasset, médico Francês, tinha certeza de conseguia reflectir o conteúdo de líquidos do corpo humano através da resistência eléctrica. Consequentemente, em 1962, ele e os seus colegas desenvolveram um dos primeiros analisadores de impedância para medir tecidos biológicos.

Nyboer, investigador americano, foi finalmente capaz de provar que os valores de impedância permitem-nos realmente tirar conclusões sobre a nossa composição corporal, e por volta de 1970, estabeleceu aquela que é hoje conhecida como a base da análise de impedância moderna. Na década de 1980, o termo bioimpedância eléctrica é finalmente estabelecido como o nome do método. Mais tarde foram desenvolvidos vários métodos semelhantes, mas ainda assim conseguiu afirmar-se e, hoje, é o método aceite e reconhecido internacionalmente em diversas áreas, como a antropologia e medicina nutricional, continuando a ganhar terreno.

Especialistas de todo o mundo têm agora a oportunidade de se reunir regularmente na Conferência de Consenso BIA (BIA Consensus Conference), que decorre no Instituto Nacional de Saúde Americano (NIH), para partilhar ideias e trocar experiências, um sinal de desenvolvimento e interesse contínuo nesta matéria. A utilização da análise de impedância é um método de confiança, simples e muito acessível, que permite aos médicos realizar diagnósticos diferenciais. Um amplo espectro de equipamentos e software desenvolvidos continuamente para áreas de aplicação específicas garante cada vez mais segurança e precisão, constituindo a base para abordagens a tratamentos objectivas e prolongadas.

Parâmetros De Medição Da BIA


Impedância

A resistência total de um condutor biológico para corrente alternada é chamada de impedância, no entanto, até ao momento só olhámos para a impedância Z. A impedância é formada por dois componentes:
1. A resistência R, que é a resistência pura (ohm) de água corporal total com electrólitos, e
2. A reactância Xc, a resistência capacitiva presente devido às propriedades de "condensação" das células do corpo.

Ao medir o ângulo de fase, é possível determinar e diferenciar ambos os componentes da impedância.

Ângulo de fase

Os dispositivos modernos de BIA possuem circuitos electrónicos sensíveis à fase, que permitem medir a resistência total e distinguir os componentes de resistência e reactância.
A fórmula da medida é construída com base no conhecimento de que os condensadores nos circuitos de corrente alternada levam a um intervalo de tempo t, isto é, a corrente máxima está à frente da tensão máxima no tempo. No organismo, cada célula metabolicamente activa apresenta uma diferença de potencial eléctrico na ordem dos 50-100 mV na membrana celular, e este potencial permite que a célula actue como um condensador esférico num campo eléctrico alternado. A corrente alternada tem uma onda sinusoidal, daí o desvio ser medido em ° (graus) e descrito como um ângulo de fase f (phi) ou (alfa).
Para explicar de uma forma mais visual – Irá ver um grande ângulo de fase nas células nutridas "cheias", com potenciais de membrana estáveis, e ângulos de fase comparavelmente mais pequenos, com células subnutridas "fracas" com potenciais de membrana baixos.
O ângulo de fase, directamente proporcional à BCM (massa celular corporal), é bastante importante nas frequências de 50 kHz. A água electrolisada pura tem um ângulo de fase de 0 graus, enquanto a massa de uma membrana celular genuína teria um ângulo de fase de 90 graus. Contrariamente às células da BCM, as células de gordura quase não têm actividade metabólica e não podem ser detectadas por meio de medições de fase sensíveis devido ao potencial mínimo da sua membrana. As células de gordura são puramente células de armazenamento.
O ângulo de fase é utilizado como medida geral da integridade da membrana das células. Fornece informação sobre o estado das células e o estado geral do corpo do paciente e, enquanto parâmetro de medição directa ou "valor de base", é menos propenso a erros resultantes de problemas afectos à tecnologia de medição.

Medições com múltiplas frequências

A frequência desempenha um papel importante na resistência de um condutor biológico, como por exemplo, variações de frequência muito baixas (entre 1 e 5 kHz (Quilo Hertz)) têm dificuldade em atravessar a membranas celular e são, por este motivo, só são capazes de se reproduzir na massa extracelular, o que quer dizer que não têm praticamente qualquer reactância. É por isso que, para ser possível calcular o líquido extracelular (ECW), existem várias frequências que podem ser utilizadas. À medida que a frequência aumenta, o mesmo acontece com o ângulo de fase e a resistência capacitiva (reactância). A frequência máxima é alcançada por volta dos 50 kHz. Frequências mais altas levarão novamente à diminuição da resistência e da reactância. Cole definiu esta relação entre as frequências e as resistências em 1968, e a representação gráfica da correlação entre resistência e reactância em frequências distintas é chamada de Coleplot.
A utilização da análise de múltiplas frequências permite diferenciar melhor a perda celular ou o deslocamento de água, através da avaliação das variações de massa da ECM (massa extracelular) e da BCM (massa celular).
Este processo é especialmente benéfico para pacientes com alterações do grau de hidratação da massa magra; pacientes com doenças graves, como insuficiência renal ou cardíaca; ou pacientes com edema e doenças que requerem a monitorização do equilíbrio hídrico (diálise, nutrição intravenosa). Esta análise de múltiplas frequências tem muitas vantagens.

Resistência

Inversamente proporcional à água corporal total, a Resistência R é a resistência pura de um condutor de corrente alternada. Enquanto a massa gorda tem uma resistência elevada, a massa magra é um bom condutor de corrente eléctrica, uma vez que comporta, proporcionalmente, uma elevada quantidade de água e electrólitos.
Em indivíduos saudáveis ecom peso normal, a resistência é uma medida excelente para calcular o nível de líquidos no organismo, em cerca de 95% nas extremidades. A perfusão e o teor de líquidos nas extremidades desempenham, por conseguinte, um papel importante e explicam as variações desproporcionais que ocorrem na resistência. Estas surgem devido à influência de condições externas, como a temperatura ambiente e a pressão do ar, bem como de factores internos, como por exemplo, o congestionamento causado por doenças ou actividade física. Todas estas condições afectam o nível de líquidos nas extremidades. Isto também pode ocorrer com um baixo teor de água das extremidades (causado por pressão alta ou pelo frio). A resistência medida estará muito acima do intervalo normal com este método de cálculo. A água do corpo e, por conseguinte, a massa corporal magra tenderão a ser demasiado baixas e a gordura corporal calculada demasiado alta.
Noutro cenário, se existir um aumento ou congestionamento da circulação nas extremidades, a resistência apresenta uma trajectória descendente. A água corporal e a massa magra aparecerão muito grandes e os cálculos de gordura muito baixos nos resultados.
É importante lembrar que o corpo humano nunca está estático, embora funcione com a ajuda de um sistema dinâmico, e que as alterações do nível da água corporal ocorrem a todas as horas e mudam diariamente. Uma BIA actual pode ser apenas uma imagem instantânea de um sistema dinâmico e da condição no momento. É por isso que a repetição da medição das respostas do indivíduo irá fornecer uma imagem mais fidedigna e melhorar a avaliação da composição corporal.

Reactância

A resistência que um condensador de corrente alternada exerce é chamada de Reactância Xc. Devido às suas camadas compostas por proteínas e lípidos, todas as membranas celulares do corpo actuam como pequenos condensadores e a reactância é, como tal, uma forma de avaliação da massa celular corporal.

Princípios Gerais


BIM (Medições de impedância bioeléctrica) é o termo que representa uma série de procedimentos e tecnologias tradicionais e novas não-invasivas que utilizam corrente eléctrica. Com a ajuda de um ou mais eléctrodos de superfície, uma pequena quantidade de corrente eléctrica é activada e detectada pelos eléctrodos de superfície colocados noutras partes do corpo, após a passagem do impulso eléctrico.
À medida que percorre e atravessa rapidamente as várias secções fisiológicas do corpo, ocorre uma queda de tensão. A corrente encontra a impedância ou resistência inerente nos líquidos e tecidos das áreas por onde passa, entre eles o espaço intracelular, o sistema linfático e a corrente sanguínea. A queda da tensão fornece informação indirecta sobre as propriedades físicas das secções por onde a corrente passou.

Análise de Impedância Bioeléctrica de Corrente Alternada (BIA):

Dos diversos modelos BIA de CA actualmente no mercado, a maioria é utilizada para medir obliquamente o total de líquidos e estimar o teor de gordura no organismo. A BIA, que utiliza corrente alternada (CA) como a forma mais comum de testes, emprega tensão CA. Vários sistemas, variando amplamente em complexidade e design, funcionam com uma vasta gama de intensidades, frequências e correntes. Para o paciente, a quantidade de energia aplicada no organismo é geralmente difícil de detectar e muito abaixo de qualquer nível que poderia resultar em danos celulares ou dos tecidos. Quando são utilizadas correntes eléctricas iguais ou superiores a 50 kHz, estas circulam de forma não-selectiva pelos espaços extracelulares, bem como pelos intracelulares, como pôde ser confirmado por vários estudos de BIA de CA.
Depois de a corrente ser enviada para eléctrodos tácteis com uma frequência de 50 KHz, a sua intensidade permite que o sistema meça a reactância e a resistência entre os outros dois eléctrodos tácteis passivos (modo tetra-polar).



A BIA E Respectivos Parâmetros Calculados


Água Corporal Total (TBW)

As medições de impedância oferecem uma imagem bastante exacta da água electrolisada nos tecidos. A água ingerida por via oral, que ainda não tenha sido absorvida pelo organismo, não é medida; o mesmo é válido para a ascite porque não faz parte da massa corporal magra. No entanto, as soluções administradas são detectadas imediatamente.

Intervalo de valores normal - homens: 50 - 60%
Intervalo de valores normal - mulheres: 55 - 65 %
Muito músculo: 70 - 80 %
Obeso: 45 - 50 %

Distribuição da TBW
Extracelular: 43% de TBW (transcelular, intersticial, linfa, plasma)
Intracelular: 57 % de TBW

Para medir a massa de água de um indivíduo, é necessário analisar a massa celular corporal (BCM), que está essencialmente presente na massa muscular. O aumento do índice de ECM/BCM pode ser uma condição subjacente para a detecção de água retida, e uma percentagem celular reduzida também pode ser indicativa de retenção de líquidos.



Massa Corporal Magra (LBM)


A massa corporal magra é composta maioritariamente por órgãos internos, sistema músculo-esquelético e sistema nervoso central, e refere-se à massa de tecidos que não contém gordura. Estes sistemas de órgãos, embora morfologicamente muito diferentes, possuem estruturas funcionais similares.
Todos eles contêm substâncias e líquido extracelular que suportam a troca metabólica e ajudam no transporte do substrato e são feitos de células que realizam os processos metabólicos e de síntese no organismo.
Aquela que é definida como massa magra contém 73% de água, de acordo com Pace e Rathburn (1945) e, como tal, ao derivar a massa corporal magra da água corporal, o cálculo é como se segue:

LBM = TBW/0,73

Esta fórmula parte do princípio que existe um valor de hidratação normal e constante da massa magra, e uma população equitativa que é saudável. A percentagem de água é no entanto mais elevada nas crianças e as medições de água em condições especiais também apresentaram valores bastante distintos Por exemplo, nos casos de anasarca, o teor de água é de 85%, isto é, mais alto, e por exemplo na desidratação (exicose) é mais baixo: 67% (Shizgal 1981).
Por exemplo, no caso de edema ou de pacientes em cuidados intensivos, onde a hidratação da massa corporal é patológica, os cálculos reunidos para a massa celular corporal, massa magra e massa extracelular podem ser irregulares - parâmetros secundários - e dificultarão a avaliação das medições da BIA. Nestes casos ajuda observar a avaliação inicial e os valores da resistência, ângulo de fase e reactância.
A massa magra corporal divide-se em dois grupos. Um deles é o BCM (massa celular corporal), também conhecido como o motor do organismo, e o outro é o ECM (massa extracelular) ou tecidos conjuntivos e meio de transporte.

Massa Celular Corporal (BCM)


Qualquer tecido do corpo humano possui até certa medida massa celular, e a soma de todas as células envolvidas activamente no processo metabólico recebe o nome de BCM. Embora seja mais uma secção definida funcionalmente, e não tanto anatomicamente, é composta por todas as células dos órgãos internos e músculos, com os músculos a constituir a maior parte da BCM. Contudo, o tecido conjuntivo com baixo teor de fibrócitos corresponde a uma pequena percentagem de toda a BCM e adipócitos, devido ao seu baixo metabolismo energético, não são de todo considerados como parte da BCM. Por conseguinte, a soma das células adiposas forma o seu próprio compartimento no organismo.
Incluídos na BCM, encontram-se os seguintes tipos de tecido: músculos lisos, células do sistema músculo-esquelético, órgãos internos, músculos cardíacos, sangue, tracto gastrointestinal, sistema nervoso e glândulas.
Uma vez que a função metabólica é realizada no interior das células da BCM, a BCM é a principal especificação para a análise do estado de nutrição de um paciente. Também é utilizada como especificação standard para estabelecer os requisitos calóricos do corpo e avaliar o consumo de energia.
Além do catabolismo, a BCM também actua ao nível do anabolismo, incluindo na manutenção da síntese e das estruturas celulares para a ECM. Por exemplo, no transporte de proteínas e enzimas e a formação de fibras de tecido conjuntivo, cartilagíneo e ósseo.
A massa celular de uma pessoa é uma parte da massa corporal magra e diversos factores, como a idade, a condição física ou a condição genética (tipo de constituição) desempenham um papel na BCM de um indivíduo.
Por exemplo, é encontrada uma percentagem de massa celular mais elevada presente na massa magra de jovens com actividade física elevada, como atletas de competição. Os seus músculos são formados na fase de maturação do corpo, e, como resultado, esta proporção superior tende a ser encontrada nestes indivíduos ao longo das suas vidas (hipertrofia persistente das células do músculo). No caso dos atletas de competição, a BCM pode chegar aos 60% da massa corporal magra. A idade também é um factor da BCM. Em crianças e jovens, por exemplo, a proporção da massa celular magra, uma vez que esta não está ainda totalmente desenvolvida, é inferior a 50%. Após a conclusão do crescimento longitudinal, as células musculares diferenciam-se finalmente e nos adultos em estado de nutrição normal médio, mais de 50% da BCM está presente na massa corporal magra. Esta muda novamente ao longo do processo de envelhecimento, quando a BCM tende a diminuir devido à cada vez menor actividade física, ou mesmo inactividade, que se instala frequentemente por volta dos 45 - 40%. No entanto, as pessoas idosas que ainda são activa podem conservar em grande medida a sua BCM.
Os valores considerados como normais para a massa celular corporal proporcional na massa magra encontram-se entre os 53-59%, nos homens do grupo etário dos 18 aos 75 anos, e os 50-56% nas mulheres. Estes são os valores ideais de BCM na massa magra. À luz dos métodos de medição simples para avaliar a composição corporal, apenas BIAs sensíveis à fase podem ser considerados para determinar a BCM, e a manutenção da BCM deve ser o principal objectivo de qualquer forma de terapia nutricional.
Deve ter-se em mente que, mesmo nas dietas - se forem de todo necessárias - a perda de BCM não deve ultrapassar, em circunstância alguma, os 20% de BCM, já que o corpo recupera muito mais lentamente de uma redução de BCM, do que o faria, por exemplo, de uma redução de gordura corporal. A redução da massa magra na BIA ocorre devido à perda substancial de massa celular, que também pode ser acompanhada por uma perda temporária de líquido intracelular.
É por isso que uma perda genuína de BCM só é experienciada quando o ângulo de fase desce, ao mesmo tempo que a densidade celular baixa em % e a reactância cai.

Massa Extracelular (ECM)


Massa extracelular corporal (ECM) é o termo utilizado para a massa corporal magra existente no exterior das células da BCM.
Pele, elastina, colagénio, tendões, ossos e fibrosidades são estruturas estabelecidas do tecido conjuntivo da ECM, cujas partes líquidas consistem de plasma, líquido intersticial e transcelular. O líquido transcelular descreve os fluidos presentes nas cavidades do corpo, por exemplo, o conteúdo do lúmen gastrointestinal e o líquido cefalorraquiano, enquanto que os líquidos transcelulares não-fisiológicos descrevem a ascite, ou efusões pleurais ou pericárdicas.
Uma vez que aproximadamente 95% da resistência eléctrica é medida nas extremidades e o tronco contribui apenas para cerca de 5% da resistência total de água no corpo, não é possível detectar o líquido transcelular através de medições da BIA.
Por exemplo, numa ascite de 5 litros, a resistência do tronco só mudaria alguns ohms, sem praticamente influenciar a resistência total. Diferenças na massa gorda devido a alterações de peso surgem normalmente sem alterações de resistência, razão pela qual as medidas de BIA são calculadas através das alterações na massa gorda, quando o aumento de peso é causado por ascite ou gravidez.

Índice De ECM/BCM


A ECM/BCM é o segundo parâmetro mais importante de avaliação do estado nutricional. Como a massa celular corporal (BCM) nas pessoas saudável é sempre consideravelmente superior à massa extracelular corporal (BCM), o índice resultante é inferior a 1.
O aumento no índice de ECM/BCM / BC é um sinal precoce de um estado nutricional afectado ou em declínio. A diminuição dos pontos de BCM, estágios precoces de subnutrição. É acompanhado por um aumento da massa extracelular, enquanto que o peso e a massa corporal magra permanecem constantes.

Existem três razões para a subida do índice de ECM/BCM:
a. Catabolismo da BCM
É normal no seguimento de alterações catabólicas de qualquer origem observar a redução da massa celular corporal. De modo a manter a água corporal total, o organismo vai então compensar com o armazenamento de água na massa extracelular.

b. Hiperinsulinismo causado pela retenção de água na ECM:
A retenção de água e sódio começa ao nível da massa extracelular nos casos de hiperinsulinismo crónico e síndrome metabólica.

c. Outro motivo para a retenção de água na ECM:
Mesmo sem qualquer alteração no peso, é possível reter água ao nível da ECM, por exemplo, em processos catabólicos na BCM ou em casos de perda de água concomitante. O parâmetro mais sensível nestes casos é o índice de ECM/BCM.

Gordura Corporal (BF)


A gordura corporal funciona como um isolador de corrente alternada. Com uma densidade de 0,9 g/cm3 e quase nenhuma das propriedades típicas das células da massa celular corporal (BCM), não tem praticamente qualquer resistência capacitiva (reactância). A massa gorda é calculada através da diferença entre o peso e a massa corporal magra.

(%) De Fracção Celular


Massa magra é o termo que define inteiramente a ECM e a BCM, encontrando-se ambos funcional, quantitativa, morfológica e intimamente relacionados.
A percentagem de células BCM da massa magra é uma unidade de medida que avalia a condição física e nutricional do organismo. A chamada percentagem celular é um bom indicador da massa magra num indivíduo.

Intervalo normal de percentagem celular nos homens: 53% - 59%
Intervalo normal de percentagem celular nas mulheres: 50% - 56%.

Esta percentagem é inferior nos casos de hiper-hidratação extracelular ou subnutrição. A percentagem de células abaixo destes valores de referência, sem edema visível, é indicadora de subnutrição. Também é inferior em pacientes com doenças congénitas acompanhadas de distrofia muscular.
Para avaliar o estágio de subnutrição, a percentagem reduzida de células fornece pistas importantes.

O corpo humano activa a proteína intracelular em homeostasia de glicose, produzindo açúcar a partir desta fonte, sempre que ingere alimentos ou quando existem deficiências nutricionais. Enquanto a perda de proteína intracelular leva a uma redução da massa celular, o domínio extracelular aumenta simultaneamente de tamanho. Isto é causado pela libertação de líquido intracelular ligado às proteínas e, quando isso acontece, a BCM e a ECM reagem de maneira inversa, levando à queda desproporcional da percentagem celular.
Por outro lado, o treino físico ou atlético ao longo de um período de muitos anos irá resultar numa percentagem celular alta.
O mesmo é válido para pessoas com um elevado nível de actividade física - a percentagem celular aumenta. Praticar desporto a partir de tenra idade tem um efeito duradouro, já que a percentagem celular medida será alta ao logo da vida, mesmo que a inactividade se instale. As actividades desportivas recreativas iniciadas na idade adulta não têm praticamente qualquer efeito no aumento da percentagem celular, e esta só aumenta lentamente no caso da prática desportiva profissional.

Sistema De Coordenadas E Elipses De Tolerância


A Análise Vectorial de Impedância Bioeléctrica (BIVA) é uma representação gráfica desenvolvida pelo professor A. Piccoli para melhor interpretar a impedância corporal. Apresenta sistemas de coordenadas com elipses de tolerância para exibir graficamente os índices de impedância corporal e de massa gorda. QBioscan apresenta este princípio no visor e exibe-o, além da exibição tradicional dos módulos de avaliação, em valores numéricos, curvas percentuais e gráficos de barras. Além disso, o mais recente desenvolvimento da Medeia também inclui a interpretação dos índices de massa gorda.

Análise De Impedância Bioeléctrica (BIVA)


A BIVA, conforme descrita pelo Professor A. Piccoli, é uma demonstração gráfica da resistência eléctrica do organismo que exibe a impedância do paciente sob a forma de ponto de medição num sistema de coordenadas:

Resistência óhmica (R) no eixo X; Resistência capacitiva (Xc) no eixo das ordenadas
R e Xc são tamanhos considerados relativamente ao tamanho do organismo (comprimento do condutor eléctrico).
A examinação de um probando, utilizando este gráfico vectorial, permite analisar simultaneamente a sua massa celular (Xc) e o total de água no seu organismo (R). As diferenças no eixo Y significam um aumento ou diminuição da massa celular, enquanto as alterações no ponto de medição (R, Xc) paralelo ao eixo X indicam alterações no volume de líquidos.

Os quadrantes do sistema de coordenadas são especificados como se segue:

• I: Xc alta, R alta = menor proporção de água
• II: Xc baixa, R alta = maior proporção de células
• III: Xc baixa, R baixa = menor proporção de células
• IV: Xc alta, R baixa = maior proporção de água

A comparação de um valor de medição individual com os valores de referência é uma vantagem adicional da BIVA.
As elipses de tolerância correspondem às percentagens de 50%, 75% e 95% inseridas no sistema de coordenadas.



Índices De Massa Gorda (FFMI/FMI)


O sistema do Professor A. Piccoli também pode ser aplicado à comunicação visual dos índices de massa gorda. Com base no trabalho de Schutz et al, a correlação entre FFMI/FMI é ilustrada em quatro situações típicas:

Os quadrantes do sistema de coordenadas são especificados como se segue:

• I: FFMI alta, FMI alta = massa muscular elevada
• II: FFMI baixa, FMI alta = obesidade
• III: FFMI baixa, FMI baixa = deficit energético crónico
• IV: FFMI alta, FMI baixo = massa muscular reduzida

A FFMI (eixo X) e a FMI (eixo de ordenadas) são apresentadas acima dos eixos do sistema de coordenadas para o FFMI e o FMI. As elipses de tolerância correspondem às percentagens de 50%, 75% e 95% inseridas no sistema de coordenadas.