Avaliação Do Limiar De Condutância Electromecânica Do Suor Sudomotor


Introdução


QBioscan foi criado para permitir a avaliação precisa da função das glândulas sudoríparas. É baseado num método de medição, no qual os pacientes colocam as mãos e os pés em eléctrodos de aço inoxidável e são expostos a uma baixa tensão contínua incremental - inferior a 4 V - que é libertada em intervalos de dois minutos. O que está a ser testado é a reacção electroquímica entre os eléctrodos e o cloreto, através da estimulação das glândulas sudoríparas com baixa tensão. Este método novo e activo fornece informação e provas de disfunções das glândulas sudoríparas, que não poderiam ser detectadas de outra forma em condições fisiológicas. A Condutância Bioeléctrica (BEC, em microsiemens, µS) das mãos e dos pés expressa os resultados quantitativos, enquanto o valor de risco é derivado de dados demográficos e dos valores BEC.

O sistema QBioscan, em conformidade com a 21 CFR 882,1540, representa um dispositivo de resposta galvânica cutânea, que apresenta as medições de condutividade da pele no ecrã de um computador.

O QBioscan é semelhante a um teste de stresse de resposta galvânica da pele, um teste activo que mede a capacidade de libertação de iões de cloreto das glândulas sudoríparas após estimulação electroquímica. Funciona através da medição da diferença do potencial eléctrico causado pela reacção electroquímica dos eléctrodos, que são aplicados sobre a pele e estimulados por uma baixa tensão de amplitude variável. QBioscan vem com 5 eléctrodos independentes para colocação no corpo, por exemplo, nos pés ou palmas das mãos e em outras áreas com um elevado número de glândulas sudoríparas.

QBioscan providencia informação que determina o risco cardiometabólico nos pacientes. O teste, equivalente a um teste de stresse de resposta galvânica da pele, mede a capacidade de libertação de iões de cloreto das glândulas sudoríparas em resposta à activação electroquímica.
As vantagens: QBioscan não requer qualquer preparação por parte do paciente, como tirar sangue ou fazer jejum; não é invasivo e oferece resultados imediatos, com conclusões prontas a serem usadas após um breve e simples teste de apenas dois minutos.
QBioscan foi desenvolvido para ser utilizado por médicos de clínica geral, farmacêuticos, cardiologistas e neurologistas no rastreio eficaz do risco cardiometabólico nos pacientes.

Síntese Analítica


• Pequenas fibras C mielinizadas são responsáveispela função das glândulas sudoríparas
• A disfunção sudomotora foi estabelecida como uma das primeiras anomalias neurofisiológicas detectadas em neuropatias de pequenas fibras distais.
• A avaliação quantitativa da resposta sudorípara foi proposta como indicador da severidade e distribuição de falha automática. Também serve como indicador precoce da regeneração de pequenas fibras.
• Tem sido observado nos pacientes diabéticos uma degeneração das pequenas fibras C das glândulas sudoríparas.
• QBioscan mede as condutâncias electroquímicas de suor na pele (BEC), que se encontram ligadas directamente à capacidade das glândulas de transferir iões de cloreto e que reflectem o estado das pequenas fibras C.
• QBioscan é um método rápido e simples para medir a função sudorípara.

Vantagens


• Analisar e testar a capacidade de resposta e a precisão do QBioscan na detecção de neuropatia diabética e fazer a sua comparação com testes estandardizados de diagnóstico de neuropatia diabética.
• Avaliar o QBioscan, utilizando-o como um instrumento de avaliação da neuropatia autonómica e da dor neuropática em pacientes com Diabetes Mellitus.
• QBioscan é uma ferramenta inovadora e sensível para detectar a neuropatia diabética, em especial a neuropatia diabética dolorosa. Como as glândulas sudoríparas recebem estímulos nervosos por meio das pequenas fibras C, a medição exacta da função da glândula sudorípara pode identificar essa causa.
• O QBioscan, um dispositivo sensível que permite detectar neuropatia em pacientes com diabetes mellitus, opera com uma sensibilidade de 80% e uma especificidade de 95%.
• Em comparação com a neuropatia não-dolorosa, a BEC nos pés diminui significativamente na neuropatia diabética dolorosa.
• Estes resultados sugerem que o sistema nervoso autonómo periférico desempenha um papel na neuropatia diabética dolorosa.
• Os resultados do QBioscan estão fortemente correlacionados com a pontuação de neuropatia clínica, com a pontuação de dor e com as medidas de disfunção autonómica.

Avaliação Da Função Sudomotora


Porquê avaliar a função sudomotora?
O estudo da função sudomotora é uma ferramenta útil para avaliar distúrbios autonómicos, já que é conhecida por reflectir a actividade simpática e por dar informação sobre o estímulo nervoso autónomo pós-ganglionar.
Estudos clínicos recentes demonstraram que os testes convencionais foram influenciados pelo nível de glicemia. Porém, QBioscan provou ser um método de teste reprodutível e quantitativo, que não é afectado por aquele, e que a Condutância de Suor Bioelectroquímica do QBioscan (BEC) reflecte a função sudorípara simpática dependente.

A necessidade de um teste da função sudomotora mais rápido
A avaliação da função sudomotora pode agora ser feita com mais rapidez e simplicidade, graças à nova tecnologia da Medeia.
Em resposta à activação electroquímica, mede a capacidade das glândulas sudoríparas libertarem iões de cloreto e detecta anomalias. Uma vez suspeito ou confirmado, recomendam-se testes mais especializados para diagnosticar a causa subjacente da irregularidade.

Avaliação da função sudomotora na diabetes
A diabetes é uma das principais causas de danos nos nervos. Quando os pacientes com diabetes sofrem de disfunção metabólica e de processos inflamatórios relacionados, os axónios desmielinizados das suas pequenas fibras nervosas são os primeiros a serem afectados, conhecido por Neuropatia Autónoma Diabética (NAD), um subtipo de neuropatia periférica.
Estão a decorrer actualmente diversos estudos clínicos para testar a nova tecnologia de detecção de DAN da Medeia.



As pequenas fibras nervosas são vítimas precoces da diabetes
Embora os sintomas permaneçam subclínicos, a diabetes é conhecida por afectar o sistema nervoso periférico e as pequenas fibras nervosas encontram-se geralmente entre as primeiras vítimas. O QBioscan foi desenvolvido como um dispositivo novo para o acompanhamento de complicações associadas à diabetes.



Lado esquerdo - Estimulação nervosa normal de uma glândula sudorípara na parte distal da perna de uma pessoa saudável.
Lado direito - Estimulação nervosa reduzida de uma glândula sudorípara num paciente diabético.

Base Teórica E Métodos


A neuropatia periférica é a complicação mais comum da diabetes tipo-2. A Neuropatia Autónoma Cardiovascular (CAN) provou ser o maior factor de risco de isquemia silenciosa em pacientes com diabetes e, no entanto, no campo da neuropatia, ainda é provavelmente a área mais negligenciada. Uma forma não tendenciosa e não-invasiva de avaliar a modulação simpática e parassimpática do ritmo cardíaco é a HRV ou Variabilidade da Frequência Cardíaca. É amplamente aceite que o sistema parassimpático controla o componente Frequência Alta (HF), enquanto o sistema simpático modula o componente de Baixa Frequência (LF). A precisão da análise da HRV pode ser aumentada com exercício, conforme declaração do consenso da Academia Americana de Neurologia da Associação Americana de Diabetes (ADA) confirma. Ambos os organismos recomendaram que, para avaliar a CAN, devem ser realizados vários Testes de Reflexos Autonómicos Cardiovasculares (CART), avaliando a HRV de pé ou com respiração profunda, ao mesmo tempo que a queda de pressão arterial sistólica postural é monitorizada, um método conhecido normalmente por Teste de Ewing.

As glândulas sudoríparas são estimuladas por fibras C simpáticas, finas e desmielinizadas que, dependendo do seu comprimento, podem ser danificadas pela neuropatia periférica. Uma vez confirmado o distúrbio funcional sudomotor na pré-diabetes e diabetes, a ADA sugere, numa explicação consensual, que a função sudomotora deve fazer parte do teste de diagnóstico para a detecção precoce de neuropatia em pacientes com diabetes. Apesar de terem sido desenvolvidos diferentes métodos, a falta de testes rápidos e fáceis de utilizar para diagnosticar a disfunção sudomotora tem impedido a sua vasta utilização na prática clínica. Com QBioscan, é desenvolvido um novo dispositivo para avaliação quantitativa da função sudomotora. Produz resultados rápidos, não é invasivo e é até mesmo uma ferramenta útil fazer a despistagem de disfunções do sistema simpático em pacientes com Intolerância à Glicose (IGTT) ou diabetes, como demonstrado por uma série de estudos.

Para diagnosticar a Fibrose Cística (FC), é necessário um teste de suor para mostrar o aumento da concentração de cloreto. Uma vez que estes testes, que são demorados e exigem perícia, e são utilizados apenas em pacientes seleccionados, é necessário novas tecnologias que encurtem este processo e mostrem rapidamente anomalias na concentração de cloreto no suor. A tecnologia nova e patenteada do QBioscan foi concebida com estes benefícios em mente. Aumenta tensões baixas de corrente contínua (<4V), gera iontoforese reversa e permite medir a BEC (condutância bioelectroquímica da pele), que está ligada ao cloreto - o ião com a maior concentração fisiológica no suor.

As glândulas sudoríparas écrinas são vítimas precoces da diabetes


As pequenas fibras nervosas são as primeiras vítimas da diabetes, que é conhecida por afectar o sistema nervoso periférico, mesmo se os sintomas permanecerem subclínicos. De acordo com um estudo recente, já num estágio inicial da evolução da diabetes, a estimulação nervosa simpática das glândulas sudoríparas écrinas diminui progressivamente. Independentemente da temperatura e do exercício físico, esta alteração do controlo autónomo das glândulas sudoríparas provoca uma acção prolongada no equilíbrio iónico dos canais de suor.

A iontoforese reversa permite medir o equilíbrio iónico nos canais de suor


Para detectar os iões, é necessário que estes sejam transportados do interior para o exterior através da membrana cutânea. Este processo é denominado iontoforese reversa. Implica a aplicação de eléctrodos com um potencial de baixa tensão de amplitude variável na pele, e a observação da diferença do potencial eléctrico causado pela reacção electroquímica nestes eléctrodos. O QBioscan tem 6 eléctrodos de níquel independentes que são colocados em regiões cutâneas com alta densidade de glândulas sudoríparas (palmas das mãos, pés), e os dados recolhidos resultam numa pontuação que representa a predisposição do sujeito para a pré-diabetes, diabetes e complicações. O sistema é calibrado automaticamente por vários eléctrodos e, após cerca de dois minutos de recolha de dados, os resultados são exibidos no ecrã em formato gráfico.

De modo a poder definir o ponto inicial das respostas medidas durante a utilização do potencial de baixa tensão, com amplitudes variáveis em eléctrodos de Ni, foi levado a cabo um estudo sobre o comportamento electroquímico do níquel, numa configuração semelhante à do dispositivo médico. O estudo forneceu provas que indicam, claramente, que o principal parâmetro do suor a controlar as correntes electroquímicas é resultado da variação da concentração de cloreto.

Foram comparadas observações clínicas e o estudo in-vitro, que demonstraram a proximidade evidente das medições electroquímicas in-vitro do comportamento dos eléctrodos de níquel com as obtidas através de testes clínicos. Descobriu-se ainda que a determinação da curva de corrente, como função do potencial (ânodo, cátodo ou a sua diferença), é uma maneira muito eficaz de detectar o desvio da concentração de CI, ao nível dos eléctrodos.

A Medeia analisou também a influência das concentrações de cloreto na cinética das reacções electroquímicas e para elaborar um modelo teórico, os mecanismos propostos e os parâmetros cinéticos obtidos foram então utilizados.

Neste contexto, poderia ser certamente interessante comparar o comportamento electroquímico e a modificação da superfície dos eléctrodos envelhecidos in-vivo, bem como analisar o comportamento electroquímico das diferentes composições de aço inoxidável. Outro aspecto interessante poderia ser o estudo das reacções anódicas e da sua cinética electroquímica quando colocados em soluções fisiológicas na superfície de eléctrodos de aço inoxidável.